Para fazer a busca digite uma palavra-chave
Nelson Freire : Schumann - Nelson Freire
Considerado um dos pianistas mais importantes da atualidade, Nelson Freire interpreta neste novo trabalho as quatro peças mais populares de Schumann. Vale a pena conferir. Saiba Mais
Obrigado Brazil - Yo-Yo Ma
Com uma carreira consolidada internacionalmente, o violoncelista Yo-Yo Ma, um superastro da música erudita, presenteia os ouvintes com uma homenagem aos artistas consagrados da MPB, como César Camargo Mariano, Tom Jobim, entre outros. Saiba Mais
Aprendendo a Compor - John Howard
Uma série de livros didáticos, ilustrados e em formato grande, atendendo ao estudante e ao estudioso da música em seus mais variados aspectos. Saiba Mais
Instrumentos da Orquestra - Roy Bennett
A Grande Orquestra Sinfonica Moderna, Ressaltando as Grandes Familias em que ela se Divide: Cordas, Madeiras, Metais, Percussao. Como os Instrumentos sao Feitos, Suas Caracteristicas Essenciais, sua Funcao e Suas Origens. Saiba Mais

Clarineta

Entre os principais instrumentos de sopro, a clarineta foi o último a ser incorporado à orquestra. A clarineta foi inventada por volta de 1690 por Johann Denner, um construtor de instrumentos, de Nuremberg, ao aperfeiçoar um instrumento conhecido como chalumeau. Ele deu o nome de clarineta ao novo instrumento devido a suas notas agudas parecerem similares em brilho às do trumpete agudo, cujo nome em italiano era clarino. Entretanto, foi necessário que se passasse um século até a clarineta consolidar seu lugar na orquestra.

A clarineta utiliza uma palheta simples - a talisca de uma cana especial é cuidadosamente desbastada em uma extremidade, até tornar-se bastante delgada e flexível - que é colocada sobre uma abertura de formato oblongo situada na boquilha, a qual tem uma extremidade em forma de cunha. A palheta é mantida na boquilha pela braçadeira e por parafusos reguláveis.

O clarinetista coloca a boquilha nos lábios, a palheta em contato com o lábio inferior, repuxando ligeiramente os lábios para dentro da boca e sobre os dentes, para apoiar e acolchoar a palheta. A boca se fecha em volta da boquilha para impedir escapamento de ar. Quando o instrumentista sopra, o ar passa entre a boquilha e a palheta causando assim a vibração da palheta. A vibração da palheta põe a coluna de ar situada dentro do instrumento em vibração, produzindo assim a nota. Enquanto o formato do tubo do oboé é cônico, o da clarineta é principalmente cilíndrico. Devido a essa característica, os sons produzidos pela clarineta são mais graves em relação ao seu comprimento.

As clarinetas eram originalmente construídas em três tamanhos: afinadas em dó, em si bemol e em lá. (A clarineta em dó tornou-se por fim obsoleta devido à superioridade do som das outras duas.) Para maior conveniência do instrumentista, as partes eram escritas de maneira a não haver mudança de dedilhado, qualquer que fosse a clarineta que se estivesse usando. Mas isso significa que as notas da clarineta em dó soavam exatamente como estavam escritas, enquanto as notas para as clarinetas em si bemol e lá tinham de ser escritas mais agudas para soarem na altura real. Esses são exemplos de instrumentos transpositores.

A clarineta em si bemol produz a nota si bemol quando se escreve a nota dó. Para produzir a nota dó, deve-se escrever ré. Assim, todas as notas para a clarineta em si bemol devem ser escritas um tom acima do que elas soam.

A clarineta em lá produz a nota lá quando a nota dó está escrita. Portanto, todas as notas para essa clarineta devem ser escritas uma terça menor (ou três semitons) acima do que elas soam.

A escolha de qual clarineta, si bemol, ou lá, deve ser usada é feita na realidade pelo compositor, que decide qual das duas terá menos sustenidos ou bemóis quando a música for escrita.

O instrumentista usa a clarineta indicada e dedilha as notas escritas. De acordo com o tipo da clarineta e a transposição, as notas produzidas estarão na tonalidade e altura corretas combinando perfeitamente com os outros instrumentos que estão tocando.

De todos os instrumentos de sopro, a clarineta possui a maior extensão de notas. O timbre da clarineta, menos nasalado e rascante que o do oboé, varia de acordo com o registro. As notas graves abaixo do dó médio são chamadas de registro chalumeau. Essas notas são ricas, com pouco corpo de som, mas aveludadas. As notas do registro médio são mais brilhantes e o brilho aumenta à proporção que se sobe para o registro agudo, onde os sons chegam a ser penetrantes e estridentes.

O clarinetista tem grande controle sobre a expressão e a dinâmica, podendo tocar súbitos crescendos e diminuendos com facilidade. A clarineta é igualmente capaz de tocar melodias suaves e expressivas ou rápidas e rítmicas. Ela pode ser extremamente ágil, tocando grandes saltos intervalares com pouca dificuldade. Arpejos rápidos e borbulhantes são particularmente efetivos.

Clarineta Baixo

A clarineta baixo é duas vezes maior que a clarineta normal, e se situa uma oitava abaixo. A parte superior do instrumento é curvada para trás para que o instrumentista possa facilmente alcançar a boquilha com sua palheta simples. A parte inferior do instrumento se abre em uma campânula metálica voltada para cima.

Quando a clarineta baixo é requisitada na orquestra, ela é geralmente tocada pelo terceiro clarinetista. Para facilitar a leitura do instrumentista, as notas são geralmente escritas na clave de sol, uma oitava e um tom acima dos sons reais.

O timbre da clarineta baixo é suave, esplendidamente rico e ressonante, porém com pouco corpo de som, ligeiramente nasalado.

Dois outros tipos de clarinetas são às vezes usados na orquestra. A pequena clarineta em mi bemol (requinta) tem um som agudo, estridente, claramente audível no final de Till Eulenspiegel, de Strauss, ao imitar os guinchos de terror de Till sendo enforcado. No movimento final do "Sonho de uma noite de sabá", da Sinfonia Fantástica de Berlioz, sugere o gargalhar diabólico de uma bruxa enquanto cavalga sua vassoura.

O outro tipo, a clarineta contrabaixo, raramente usada, soa uma oitava abaixo da clarineta baixo, duas oitavas abaixo da clarineta normal.

Corne Inglês

O significado literal da palavra corne implica que este instrumento seja de alguma forma relacionado à família das trompas. Na realidade, porém, o corne inglês não se relaciona em absoluto com as trompas e é na verdade um oboé de maior comprimento, um oboé contralto. Sugeriu-se a possibilidade de que o nome em francês, cor anglais, fosse um erro ortográfico, sendo a palavra real anglé, que significa "em ângulo", provavelmente referindo-se à maneira como a boquilha ou bocal em que a palheta se encaixa está inclinada formando um ângulo, para melhor ser colocada nos lábios. O fato é que, nos modelos mais antigos do corne inglês, todo o instrumento era curvado, com um formato semelhante ao chifre de um animal, para facilitar que os dedos do instrumentista alcançassem os orifícios.

As notas tocadas pelo corne inglês não são as mesmas notas que estão escritas para serem tocadas. Este fenômeno requer uma explicação.

Existem vários instrumentos na orquestra para os quais as notas estão escritas a uma altura diferente da altura das notas tocadas. Estes instrumentos são conhecidos como instrumentos "transpositores". Há sempre uma boa justificativa para explicar por que as notas escritas não correspondem à altura das notas tocadas - geralmente, é apenas para simplificar o trabalho do instrumentista. Vimos anteriormente que as partes para o contrabaixo são escritas uma oitava acima das notas tocadas, ou sons reais; e que a música para o flautim é escrita uma oitava abaixo dos sons reais. Em ambos os casos, tenta-se evitar um excesso de linhas suplementares. Entretanto, no caso do corne inglês, não se trata de mera transposição de oitavas.

A altura do corne inglês se situa cinco notas abaixo da do oboé. O dedilhado é exatamente o mesmo; portanto, todo oboísta é capaz de tocar o corne inglês. Assim, para facilitar o trabalho de leitura do instrumentista, as partes para o corne inglês são escritas cinco notas acima das notas que estão soando. Isto significa que o instrumentista lê e dedilha as notas exatamente como se elas estivessem escritas para o oboé, porém, as notas soam uma quinta abaixo, na altura exata do corne inglês. Por exemplo se o instrumentista executa o dedilhado que produzia a nota ré no oboé, no corne inglês a nota produzida é o sol, uma quinta abaixo.

Assim como o oboé, o corne inglês tem uma palheta dupla. A campânula do corne tem um formato de pêra, as bordas convergindo para um círculo relativamente pequeno, reduzindo assim a abertura. Este fato torna o timbre mais suave, mais rico, até mais melancólico do que o do oboé, sendo assim o corne inglês é o instrumento indicado para tocar melodias delicadas e suaves, com uma ponta de tristeza.


Clique aqui e envie este texto para um amigo


 
Projeto Musical © 2006