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“Chuiquinha em Revista”, Novo CD
do Selo SESC, revela obras menos conhecidas da compositora
Idealizado pelos músicos, compositores e arranjadores Gilberto Assis
e Ana Fridman, o disco apresenta treze músicas de Chiquinha Gonzaga –
das quais a única bem conhecida é “Corta-jaca”; sintomaticamente,
porém, em rara versão com letra... O CD, já à venda
em todas as unidades do SESC São Paulo e na Loja Virtual SESC, será
lançado em dois shows no SESC Vila Mariana, nos dias 11 e 12 de Fevereiro,
quinta e sexta-feiras, 21 horas, com presença dos músicos participantes
da gravação, entre eles os cantores Ná Ozzetti, Vange Milliet,
Suzana Salles, Carlos Careqa e Rita Maria.
Francisca Hedwiges de Lima Neves Gonzaga, ou apenas Chiquinha Gonzaga, nasceu
no Rio de Janeiro em 17 de Outubro de 1847 e morreu, na mesma cidade, em 28
de Fevereiro de 1935. Pianista, maestrina e compositora, é sem qualquer
dúvida, o maior nome feminino da história da música popular
brasileira.
Nas três últimas décadas chegaram ao mercado vários
projetos (discos, livros, peças de teatro, séries de tevê)
com o objetivo de resgatar e apresentar ao público de hoje a música
de Chiquinha. Apesar do inestimável valor desses projetos, a obra da
‘pianeira’ carioca permanece praticamente desconhecida entre os
não-iniciados, exceto por meia-dúzia de suas composições.
A explicação é simples: o legado de Chiquinha Gonzaga é
de tamanho verdadeiramente descomunal: 77 partituras de peças de teatro
e mais de 2 mil composições entre polcas, tangos brasileiros,
valsas e modinhas. A cada vez revela-se muito, mas sobra sempre muito mais a
revelar.
UMA VISÃO PAULISTANA –
O álbum “Chiquinha em Revista”, idealizado por Gilberto Assis
e Ana Fridman e agora lançado pelo Selo SESC, traz a público mais
um punhado de composições de Chiquinha Gonzaga, a partir de uma
proposta diferenciada e original.
Gilberto de Assis, músico, compositor, arranjador e produtor musical,
conta que o projeto surgiu de uma pesquisa pessoal, muito “mais estrutural
do que histórica”. Ele faz questão de deixar claro que não
é especialista, “nem em Chiquinha Gonzaga nem em choro”,
mas que sabe da importância de trazer à tona a obra da compositora.
Até porque, afirma, tudo o que se tem falado de Chiquinha Gonzaga em
tempos recentes está mais relacionado à vida pessoal dela (uma
mulher que, afrontando os preconceitos da sociedade do seu tempo, tornou-se
pioneira do feminismo no Brasil) do que com sua música.
E mais: a maior parte das músicas dela que foram gravadas nos últimos
anos são peças para piano; as canções feitas para
musicais e peças de teatro, com textos bem característicos da
época e sempre irônicos, apimentados, continuam esquecidas.
Assim, a proposta de Gilberto Assis e de Ana Fridman foi a de pegar composições
pouco conhecidas de Chiquinha e fazer uma releitura com arranjos para formações
instrumentais ricas, não diretamente vinculadas à tradição
do choro (incluindo, por exemplo, gaita, clarone, quarteto de cordas).
O resultado é, pode-se dizer, uma visão paulistana da obra de
Chiquinha Gonzaga: Gilberto Assis e Ana Fridman são ambos paulistanos,
os músicos todos são também de São Paulo ou aqui
radicados e, mais ainda, são marcadamente de Sampa as vozes dos cantores
Ná Ozzetti, Suzana Salles, Vange Milliet, Rita Maria e Carlos Careqa.
DIVERSIDADE DE VOZES E ESTILOS
– “Chiquinha em Revista” tem treze músicas que vão
se alternando, uma instrumental, outra cantada.
Os arranjos para as sete peças instrumentais, de grande riqueza melódica,
são todos de Ana Fridman, que participa também como pianista –
“Falena” é, entre elas, a única que se pode dizer
conhecida.
Já os arranjos para as seis músicas com letra são todos
de Gilberto Assis, que participa também como contrabaixista. “Fiz
cada um dos arranjos já pensando especificamente em cada um dos cantores”,
conta ele. A diversidade de vozes e estilos foi intencional, não apenas
para não caracterizar o disco como trabalho de um intérprete,
mas principalmente para explorar a variedade e a riqueza de melodias e letras.
É justamente nas músicas com letra que fica mais evidente a alusão
do título – “Chiquinha em Revista” – à
atividade da musicista no chamado ‘teatro de revista’.
“Fogo Foguinho”, na voz de Rita Maria, bem como “Sou Morena”,
com Vange Milliet, têm texto de Viriato Corrêa e são da opereta
Juriti, de 1919. “A Chinelinha do Meu Amor”, cantada por Suzana
Salles, e “A Sertaneja”, por Ná Ozzetti, são ambas
da opereta A Sertaneja, de 1915, igualmente sobre texto de Viriato Corrêa.
São duas as canções não especificamente criadas
para o teatro. A primeira, “Tava Assim de Português”, em interpretação
de Carlos Careqa para a saborosa letra paródica de Marques Porto sobre
a canção “Casa de Caboclo”. A outra, o clássico
“Corta-Jaca”, maxixe de 1895 que em 1902 recebeu letra de Machado
Careca e ganha aqui maliciosa e brejeira interpretação da Ná
Ozzetti.
O encarte traz texto do compositor Chico César, do qual vale destacar
estre trecho:
Este “Chiquinha em Revista” que nos trazem Gil Assis e Ana Fridman
é um desses gestos amorosos pela música que nos forma, cuja limpidez
escorre clara da nascente e sobrevive atualíssima, irreverente, divertida
em nosso tempo. É tão elegante essa visita, essa revista, que
deve estar a rir-se de novo Chiquinha Gonzaga da deselegância dos homens
de sua época que não a queriam na música.
A MÚSICA DE CHIQUINHA NO PALCO
– Dois shows no SESC Vila Mariana, nos dias 11 e 12 de Fevereiro, quinta
e sexta, às 21 horas, marcam o lançamento oficial do álbum
“Chiquinha em Revista”.
O programa tem todas as músicas registradas no disco, e a presença
dos cinco cantores e de praticamente todos os músicos participantes das
gravações: Ana Fridman (piano), Gilberto Assis (baixo), Vítor
Lopes (gaita), Ronen Altman (bandolim), Bel Latorre (clarinetas), Sérgio
Reze (bateria e percussão), Italo Peron (violão, viola caipira,
cavaquinho), Gabriela Machado (flautas) e o quarteto de cordas formado por Luiz
Amato e Esdras Rodrigues (violinos), Emerson De Biaggi (viola) e Adriana Holtz
(violoncelo).
Serviços:
Shows de lançamento de
CHIQUINHA EM REVISTA
CD do Selo SESC
Quando
11 e 12 de Fevereiro de 2010, quinta e sexta-feiras, 21h
Local
SESC Vila Mariana (teatro, 608 lugares)
Rua Pelotas 141, Vila Mariana, tel. (11) 5080-3000
Ingressos
R$ 20,00
[R$ 10,00 (usuário inscrito, + 60 anos, estudante com carteirinha e professor
da rede pública); R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços
matriculado no SESC e dependentes). À venda em todas as unidades do SESC
São Paulo e da Rede Ingresso SESC, a partir de 1º de Fevereiro.]
Outras informações
Duração aproximada de 90 minutos.
Não recomendado para menores de 12 anos.
Para ouvir em casa
O CD “Chiquinha em Revista” está à venda em todas
as unidades do SESC São Paulo (16 na Capital e 15 no Interior), na Loja
Virtual SESC (em sescsp.org.br/loja) e na Livraria Cultura. O preço é
de R$ 15,00 – nos dias do show, preço promocional de R$ 12,00 (desconto
de 20%).
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