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La Clemenza di Tito - Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Este é o álbum excelente que traz a interpretação da Scottish Chamber Chorus Orchestra, conduzida por Sir Charles Mackerras, para "La Clemenza Di Tito" (A Clemência de Tito), a ópera composta por Wolfgang Amadeus Mozart em 1791. São 43 faixas que você não pode conferir, com Magdalena Kozená (Mezzo-Soprano, Sesto), Hillevi Martinpelto (Soprano, Vitellia), Lisa Milne (Soprano, Servilia), John Relyea (Baixo, Publio), Christine Rice (Soprano, Annio), Ronald Schneider (Fortepiano), Rainer Trost (Tenor, Tito) e David Watkin (violoncelo). - R$ 39,90 - Saiba Mais
Forever - Ray Conniff
Esta coletânea reúne sucessos nacionais e internacionais interpretados por um dos ícones da música, Ray Conniff. Destacam-se as pérolas "La Mer", "Theme From New York, New York", "Unchained Melody", "Besame Mucho" e "Aquarela Do Brasil". - R$ 9,90 - Saiba Mais
Uma Breve História da Música - Roy Bennett
Os caminhos da música do Ocidente a partir do século 9. Aborda o desenvolvimento da escrita, das idéias musicais, instrumentos e práticas adotadas em cada época. - R$ 33,00 - Saiba Mais
Como Ler uma Partitura - Roy Bennett
Um livro para quem deseja se aprofundar no estudo da partitura musical. Mostra trechos de diferentes tipos de partitura, dá explicações e orientações sobre como se aprofundar nessa lingüagem. Exercícios baseados em cada peça apresentada. - R$ 33,00 - Saiba Mais


O cérebro musical

Ao nascer, um bebê é capaz de ouvir e identificar as nuances entre fonemas de todas as línguas. Entre o sétimo e o décimo mês de vida, porém, os sons articulados pela criança já correspondem a fonemas da língua materna. Com 1 ano de vida, a criança perdeu muito a capacidade de identificar sons diferentes dos de sua língua nativa, diz o neurologista Luiz Celso Vilanova. Os bebês ficam como que surdos para sons ausentes de sua língua familiar. Na medida em que os circuitos neurais vão-se ligando, para, por exemplo, a língua portuguesa, a criança tem menos facilidade de identificar fonemas característicos de outras línguas.

A pesquisadora americana Patricia Kuhl, da Universidade de Washington encontra assim a explicação para a dificuldade de se adquirir uma segunda língua sobretudo após os 10 anos de idade. Aprender, aprende, afirma Erasmo Casella, neurologista infantil do Hospital das Clínicas de São Paulo. Mas sempre com sotaque. Até o terceiro ano de idade, afirma o doutor Muszkat, a facilidade na aquisição de línguas estrangeiras é até quatro vezes maior do que entre os adultos. Não é à toa que o ensino de inglês para bebês de 1 ano tornou-se relativamente comum entre famílias abastadas. As mães não precisam mais pegar-se em dúvidas sobre colocar a meninada em escolas onde a tia virou teacher. Cientificamente, portanto, está provado: é mais fácil começar a aprender um idioma estrangeiro na primeira infância.

A música é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro. A janela de oportunidades musical abre-se aos 3 e fecha-se aos 10 anos. Não por acaso, conhecem-se tão poucos concertistas que se tenham iniciado no aprendizado musical depois de iniciada a adolescência. Em outubro de 1995, pesquisadores da Universidade de Konstanz, na Alemanha, estudaram o cérebro de nove músicos destros, do naipe das cordas de uma orquestra local. Graças ao exame de ressonância nuclear magnética, perceberam que as porções cerebrais relacionadas aos movimentos do polegar e do dedo mindinho da mão esquerda eram maiores do que entre os não músicos. Nessa diferença, não importava a quantidade de horas dedicadas ao estudo musical, e sim, em que idade eles haviam sido apresentados aos instrumentos - sempre cedo.

Mas a música não serve apenas para incentivar as crianças a ler uma partitura, apreciar um concerto, mais tarde, e quem sabe evitar que se tornem metaleiras insuportáveis. É capaz de imprimir no cérebro a compreensão da melodia das próprias palavras. Aos 8 anos, o poeta inglês W.H. Auden (1907-1973) era submetido a sessões operísticas intensas por sua mãe, Constance Rosalie. Ela gostava especialmente de Tristão e Isolda, de Wagner, e reproduzia com Auden os duetos da obra. Estaria aí uma possível explicação para a extraordinária musicalidade dos poemas de Auden, feitos mais para ser lidos em voz alta.

A divisão melódica das obras clássicas exige um tipo de automatismo matemático acurado. Essa seria a razão por que as conexões nervosas acionadas ao se executar uma peça estejam tão próximas, no córtex cerebral esquerdo, daquelas usadas ao se fazer uma operação aritmética ou lógica. A música relaciona-se ainda a outros dons, como a capacidade de percepção de sons sutis. O professor Vilanova já observou que os alunos de medicina habituados a ouvir música clássica têm maior facilidade para auscultar corações e pulmões. Gordon Shaw e Frances Rauscher, da Universidade da Califórnia, num trabalho com dezenove pré-escolares, descobriram que, após oito meses de aulas de piano e canto, as crianças se saíram muito melhor na cópia de desenhos geométricos do que as que não tiveram aulas de música. Os pequenos músicos eram melhores na percepção espacial e muito mais eficiente, por exemplo, no jogo de quebra-cabeça. Mozart neles, então. E rápido.

Fonte: texto extraído de matéria publicada na revista Veja de 20/03/96


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